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No início do ano tenho o hábito de eliminar coisas que não me servem mais ou que nunca usei. Para mim é um período ideal para repensar o estilo de vida que estou conduzindo, aliviar o peso e simplificar a vida. Por isso estou sempre a procura de uma forma de viver melhor e, porque não, de me tornar uma pessoa melhor. Seguindo essa linha de raciocínio, um dos argumentos que mais me interessam é o minimalismo, pois acredito que seja uma ótima forma de sermos mais eficazes, produtivos, de vivermos mais serenos, melhor e ainda por cima de ajudar o planeta. Colocar isso tudo junto não é nada fácil, tenho plena consciência, mas nem tão pouco impossível.

E a propósito de minimalismo, outro dia estava assistindo um documentário que já está na Netflix ha bastante tempo, desde 2016, e que fala exatamente sobre esse argumento. O documentário intitulado em língua original: the minimalists: less is now, obteve muito sucesso. Em português seria algo como “Minimalismo: menos é agora”. Não sei se está disponível no Brasil, mas se estiver e você tiver a possibilidade, não deixe de assistir. Eu recomendo e é exatamente por isso que gostaria de compartilhar com você algumas das melhores impressões pessoais e sugestões que o os autores Joshua Millburn & Ryan Nicodemus nos trazem no documentário.

Quem nunca provou aquela sensação de prazer depois de comprar um objeto de desejo pela internet sem nem mesmo precisar sair de casa? Pois é, no princípio o documentário aborda exatamente o quanto essa facilidade de acesso aos mais inimagináveis tipos de produtos online, a preços irrisórios e facilmente adquiríveis com um click nos faz reféns do consumismo.

O ato de comprar e possuir coisas aos poucos vem preenchendo lacunas e fragilidades da nossa vida de tal modo que, às vezes e sem que nos demos conta, acaba por substituiu o que realmente deveria ser prioridade nas nossas vidas, sem contar que nos cria uma serie de problemas. Como se a felicidade verdadeira dependesse das coisas que possuímos ou do status que elas nos dão.

O fato de possuir coisas não necessariamente nos torna mais felizes e não são raras as situações nas quais acontece exatamente o contrário. Na verdade, se paramos para pensar é fácil perceber o quanto gerenciar coisas e mais coisas pode tornar nossas vidas caóticas, bem como nos transformar em pessoas estressadas, cansadas e infelizes. Sem contar com os problemas ambientais causados pelo excesso de lixo que todo esse consumismo gera.

Na verdade, quanto mais cheios de objetos forem nossos ambientes domésticos e de trabalho, mais tenderão a serem caóticos e oprimentes. Sem contar com a energia adicional que o esforço para cuidar desses objetos e manter esses ambientes em ordem vai requerer de nós.

Então seria o caso de pensar: como a nossa vida poderia ser melhor ou como poderíamos viver melhor com menos.

Partindo desse pressuposto a primeira questão a se pensar é até que ponto somos realmente nós a decidirmos o que é melhor para nós mesmos ou o que realmente precisamos ou não comprar. E’ necessário refletir sobre o quanto somos persuadidos a consumir cada vez mais por meio de ofertas e promoções. Somo realmente conscientes das nossas escolhas, ou o nosso poder de decisão está nas mãos de campanhas publicitarias que nos estimula o tempo todo criando continuamente exigências e necessidades que até então não existiam e que poderíamos muito bem viver sem elas?

O problema é que damos tanta informação sobre nos mesmos online que os grandes gigantes da publicidade nos conhecem muito mais até do que nos mesmos.

E’ comum vermos campanhas de marketing que fazem com que nos sintamos inadequados colocando em jogo nossas fragilidades psicológicas e nos fazendo crer que precisamos de coisas que muitas vezes se revelam inúteis.

A verdade é que como seres humanos temos uma necessidade natural de nos sentirmos parte integrante de uma comunidade. Nada de errado com isso até o momento em começamos a crer que seremos melhor aceitos por um grupo somente porque consumimos uma certa marca ou um certo tipo de produto, e não por quem realmente somos. Então dedicamos mais tempo ao trabalho, para ganhar mais dinheiro e assim aumentarmos o nosso poder aquisitivo para comprarmos mais coisas que muitas vezes não podemos nem usufruir por falta de tempo.

No final das contas o que obtemos é um débito enorme por comprar coisas que não precisamos, com o dinheiro que não temos para impressionar gente que nem mesmo gostamos ou conhecemos.

Mas enfim, será que uma vez que consigamos todos os nossos objetos de desejo seremos mais felizes?

A resposta é não, porque os nossos desejos continuarão a evoluir a medida que os realizamos. Nesse sentido somo todos mais ou menos insaciáveis e sempre que realizamos um desejo, surgirão outros desejos. Um ciclo que gera sempre estresse, ansiedade e insatisfação e que não acaba nunca, a não ser que aprendamos a dominá-lo.

Precisamos aprender a controlar nossos desejos e gerenciar a atenção, pois a pressão das mídias sociais é muito forte. Por isso é preciso liberar-nos do que nos oprime, mesmo porque por mais ricos que sejamos não teremos nunca o dinheiro suficiente para comprar tudo aquilo que desejamos.

Conforme o Joshua, protagonista do documentário, o minimalismo nos ajuda a liberar-nos do supérfluo, colocar as coisas em ordem e simplificar a vida. E’ deixar espaço para o que realmente importa e com certeza não são objetos. Inclusive, ele dá algumas dicas de como fazer isso, através do estabelecimento de desafios para si mesmo, onde basicamente segue os seguintes passos:

1.Controlar pouco a pouco cada ângulo, armário e gaveta da casa com o objetivo de eliminar um objeto supérfluo por dia

2.Para cada objeto se perguntar se acrescenta ou não valor à própria vida

3.Manter somente coisas úteis ou que acrescentavam um valor a própria vida

Seguindo apenas esses três passos, você vai se surpreender com a quantidade de coisas que irá conseguir eliminar por descobrir que não fazem o menor sentido pra você ou até mesmo que nem se lembrava que os tinha.

Para o Joshua a experiência de liberar-se do supérfluo nos ajuda a ter clareza do que realmente importa e nos ajuda a fazer algumas reflexões profundas como por exemplo:

Por que dei tanto valor assim a simples objetos?

O que é realmente importante na minha vida?

Por que eu era tão insatisfeito?

Que tipo de pessoa quero me tornar?

Como quero definir o meu sucesso ou o que é sucesso para mim?

Perguntas complexas e difíceis de responder, mas a questão é que se não procurarmos com sinceridade respondê-las, mais cedo ou mais tarde acabaremos por encher novamente os armários que acabamos de esvaziar.

A boa noticia é que todos podemos obter benefícios desse estilo de vida.

Um outro método muito interessante de aplicar o minimalismo que Ryan, também protagonista do documentário, deu o nome “embala tudo”, me chamou a atenção porque eu já aplicava na minha vida pessoal, em alguns casos específicos e que sinceramente gosto muito pois sei que funciona tremendamente bem.

Ele criou esse método pensando nas próprias exigências pessoais, pois não queria perder meses procedendo a pequenos passos um pouco de cada vez e lentamente, mas queria obter um resultado rápido.

No seu método Ryan sugere embalar tudo, isso mesmo, tudo o que você possui em casa como se estivesse se mudando e, por um período de três meses ir desembalado os objetos somente a medida que vai precisando deles no seu dia-a-dia.

Ele lembra ainda para não esquecer de identificar cada caixa com o conteúdo, assim você vai saber exatamente o que tem dentro delas e onde procurar cada objeto quando precisar. Por exemplo, utensílios de cozinha, sala de estar, quarto de dormir, dispensa, banheiro, etc.

Como resultado dessa experiência, ele conta que nas duas semanas seguintes 80% daquelas caixas ainda não tinham sido abertas e nem sequer se lembrava o que tinha ali dentro delas. Dessa forma ele começou a pensar que talvez aquelas coisas não fossem assim tão importantes. Foi então que decidiu deixá-las ir, eliminar o supérfluo e assim percebeu que se sentia muito mais livre e que agora tinha muito mais tempo a disposição para assumir novamente o controle da sua vida.

As maiores lições que ele nos deixa são as seguintes:

  1. Sem dúvida, é mais importante dar que receber
  2. A prioridade é se concentrar na comunidade e não no consumismo
  3. Valorizar as pessoas e não nas coisas

No final das contas podemos concluir que o que realmente nos faz felizes não é possuir coisas ou o desfrutar do status que essas coisas nos dão, mas perceber que o nosso valor independe dos objetos que possuímos.

Quando nos liberamos de coisas inúteis, incrivelmente, sentimos uma sensação de abundância e gratidão por entender que tudo o que realmente precisamos é já a nossa disposição.

E você o que acha? Estaria disposto a se tornar um minimalista?

Para mais informações sobre os  minimalistas, Joshua Melburn e Ryan Nicodemus, visite o Blog deles.

Até o proximo post

Ana Dias